Curitiba, 09 de Junho de 2016.
11:04

Crescer é Fácil, Basta ter vontade

Estamos imersos num mundo de crises, mas não vamos comentá-las porque muita gente já fala e escreve sobre isso. Aqui vamos falar do ambiente de trabalho de nossas empresas e, para isso, temos que entender bem o mercado no qual estamos imersos.

Paulo Benetti

Qual é o seu plano para 2016 e para os próximos anos? Você sente que sua empresa está preparada para enfrentar os desafios? Se está preocupado, então vamos conversar sobre isto. Algumas atividades simples podem ser realizadas para facilitar a sua caminhada rumo ao futuro. Por serem simples, você pode pensar que não ajudam e, mais tarde, se culpará por não as ter utilizado.

Estamos imersos num mundo de crises, mas não vamos comentá-la porque muita gente já fala e escreve sobre isso. Aqui vamos falar do ambiente de trabalho de nossas empresas e, para isso, temos que entender bem o mercado no qual estamos imersos.

 

A DESCONTINUIDADE

Todos os dias enfrentamos mudanças de várias naturezas e, no mundo dos negócios, elas vêm por atacado. Mas isto não é novidade, não é mesmo? Em 1969, Peter Drucker já alertava para a Era da Descontinuidade. Ou seja, o mundo dos negócios não seria mais linear como era logo após a Segunda Guerra. A palavra descontinuidade ajuda a entender como os negócios se comportam hoje. Imagine que você está andando por um caminho familiar, que lhe parece estar dominado; de repente, o caminho se interrompe ou lhe conduz para um novo destino. O que você faz: para? Retorna? Ou segue sua caminhada para chegar a algum lugar? Os caminhos mudam muito e, algumas vezes, nos levam a lugares onde nunca tínhamos pensado estar. 

Mais tarde, outros autores como Philip Kotler, um grande especialista em marketing, de alguma forma também escreveram sobre o tema descontinuidade. Richard Foster e Sarah Kaplan, tomando a expressão de Joseph Schumpeter publicada em um livro de 1942, publicaram sua pesquisa em livro com o título “Destruição Criativa”. Apesar de paradoxal, o nome é bastante significativo. Mas Picasso já dizia que, para criar, antes é necessário destruir.

O que depreendemos dessas advertências é que, independente de crises políticas ou econômicas, o mercado estará sempre em mudança. No mercado de TI, então, algumas mudanças são de tirar o fôlego. Portanto, não podemos mais ficar esperando “céu de brigadeiro” para voar. Se você não atuar nesse mercado turbulento olhando para as adversidades, antevendo as oportunidades, você para ou fica para trás, porque milhares de outras pessoas agindo proativamente estão prontas para lhe tirar do mercado.

No mercado de TI, as mudanças são bruscas, repentinas e demolidoras, vêm como tsunamis. Por isso, você, que atua neste mercado, deve ter um sistema de alerta e estar preparado para lidar com o fenômeno antes que ele aconteça.

Vejamos o que aconteceu nestes últimos tempos. Em dez anos, a internet mudou o mundo e, principalmente, a maneira de fazer negócios; em cinco anos, as redes sociais mudaram a maneira de socialização; e em dois anos o WhatsApp provocou uma grande mudança, agilizando as relações interpessoais e até as atividades comerciais (para ilustrar, cito uma farmácia de manipulação que colocou um cartaz na sua parede: “Atendemos pelo WhatsApp no telefone...”). Hoje, estas tecnologias provocam uma revolução no mercado e estão à disposição de um número significativo de cidadãos. Entretanto, em breve, serão substituídas e você precisa estar preparado para receber as novas tecnologias se quiser continuar atuando no mercado.

 

O MODELO DE NEGÓCIO

Quantas vezes você se deu tempo para analisar o seu negócio (mercado, produtos, canais, etc.)? Da Google à padaria da esquina, todas as empresas devem entender bem o seu negócio e estarem atentas para fazer adaptações e para avançar.

Sabemos que é fácil arrumar desculpas para não fazer o dever de casa: falta de tempo; urgência dos serviços; falta apoio; medo de correr riscos. Enfim, temos um conjunto de desculpas para nos colocar na “zona de conforto”. Embora não pareça, não há lugar pior para você e para a sua empresa do que a zona de conforto. Parece que tudo está indo bem, até que um dia o seu negócio acaba. A história lista empreendimentos muito bons que um dia fracassaram. Para você, que está no ramo de TI, não faltam grandes exemplos, basta olhar de dez a vinte anos atrás. Quantos nomes não desapareceram do mercado? Por isso, é importante estar atento o tempo todo ao seu modelo de negócios, comparando-o com as atividades de outras empresas.

No seu livro “A arte da Guerra”, o estrategista Sun Tzu escreve: “Se você não se conhece bem, para cada vitória terá uma derrota”. Ou seja, empatará. Mas, se você almeja a vitória e não o empate, deve elaborar o seu modelo de negócio. Hoje você pode aprender a desenvolver o seu modelo de negócio pela internet. Um exemplo disso é do Modelo Canvas, que facilita a preparação de modelos de negócio de maneira fácil e didática. Existem ainda, no YouTube, vários vídeos com especialistas orientando os interessados a prepararem um modelo de negócios. Vale a pena consultá-los para esclarecer suas dúvidas. 

Ao elaborar o modelo, você se conhecerá melhor e, assim, poderá fazer modificações usando sua criatividade para melhorar o seu negócio. Terá condições de criar novas formas de atuar no mercado, novos canais de vendas, novas relações com parceiros e clientes, de melhorar os custos e assim por diante. 

Hoje, a elaboração de um modelo de negócios é um dos campos mais ativos da inovação. É fácil, rápido e indolor. Se ainda não fez o seu modelo, experimente!

 

RISCOS E INCERTEZAS

No seu modelo de negócios, você trabalha com mercados e produtos. E, para auxiliá-lo nesse trabalho, você conta com um modelo bastante simples desenvolvido por Igor Ansoff, que mais tarde foi repaginado por Geoffrey Moore. 

Esse modelo trabalha com dois eixos – mercado e produto – e cada eixo trabalha com duas condições – atual e novo. Combinando-os, temos quatro opções apresentadas a seguir:

  1. MERCADO ATUAL com PRODUTO ATUAL: o resultado é baixa incerteza e baixo risco. Provavelmente os lucros serão baixos;
  2. MERCADO ATUAL com PRODUTO NOVO: o resultado é baixa incerteza e alto risco. Provavelmente seus lucros aumentarão;
  3. MERCADO NOVO com PRODUTO ATUAL: o resultado é alta incerteza e baixo risco. Provavelmente terá mais lucros; e
  4. MERCADO NOVO com PRODUTO NOVO: o resultado é alta incerteza e alto risco. Os lucros poderão ser imensos – veja o exemplo das startups, que começam com um só produto e têm um resultado enorme.  

Riscos e incertezas não existem para destruir nossas vidas e nossas empresas. Ao contrário, são inerentes a elas. Logo, temos que nos adaptar a isto. Como?

Imagine que, sem nunca ter pilotado, você decide pilotar uma lancha no mar. O que você faz? Provavelmente, antes de zarpar, você aprende a pilotar uma lancha, a ler uma carta náutica e a analisar as condições do tempo. Em última análise, você se prepara no sentido de reduzir as incertezas e os riscos da sua jornada. É justamente disso que estamos falando. Preparar-se é o que deve fazer sempre um solucionador de problemas que busca o sucesso. Segundo Sun Tzu, “se estiver bem preparado, para cada batalha terá uma vitória”. 

Até aqui, vimos que para ser bem-sucedido num mercado turbulento você não pode abrir mão de elaborar o seu modelo de negócios e de preparar-se para lidar com riscos e incertezas. O que falta?

 

A INOVAÇÃO

O setor de TI é um lugar de muitas inovações e, por isso, um ambiente propício para dar asas à criatividade. A despeito dos riscos inerentes a este setor, as empresas de TI contam com um capital humano capaz de enfrentá-los. Estamos falando de cérebros.

O mundo sempre foi inovador. O que diferencia a inovação da pré-história (em que uma inovação levava milhares de anos para acontecer) e a de hoje (em que a inovação acontece em poucos minutos) é o uso da capacidade do nosso cérebro. Hoje usamos muito mais o nosso cérebro para agir e, ainda assim, mal usamos dez por cento de sua capacidade.

Quanto mais operacional é a atividade de uma empresa, menos o cérebro é usado. Isso porque as soluções de problemas estão definidas em manuais ou procedimentos não escritos que devem ser seguidos à risca. Nesse caso, o cérebro entra em zona de conforto e não age, simplesmente reage com soluções pré-fabricadas. É um processo mecânico, automático. É como dirigir um carro usando apenas a primeira marcha: o carro percorre o caminho, mas é facilmente ultrapassado por outros carros. Para que o carro desenvolva maior velocidade, necessariamente temos que usar as demais marchas.

A mesma coisa acontece com o cérebro: para que ele se desenvolva, temos que usá-lo em outras velocidades, temos que desafiá-lo a criar. A criatividade é a mãe da inovação. É uma forma de pensar, e está em nosso cérebro. Ao criar, permitimos que o divino chegue até a nós, pois fazemos aquilo para o qual existimos: raciocinar e criar.

Se um único cérebro estimulado é capaz de criar, imagine o potencial de criação e de inovação proveniente da sinergia dos vários cérebros disponíveis numa empresa! E a sua empresa, como está? Seus colaboradores estão trabalhando somente no operacional ou como seres ávidos por pensar, criar e inovar? Você tem investido na expansão dos cérebros de seus colaboradores?

Sua empresa precisa de inovações, seja de novos produtos, novos serviços, novos modelos, novos mercados, novos canais de conexão com os clientes. É imperioso que um programa de inovações seja iniciado. Veja duas sugestões do que pode ser feito:

  • Comece a utilizar uma hora por dia para que grupos se reúnam e procurem desenvolver soluções inovadoras para as atividades existentes. No início, as respostas virão lentamente, depois passarão a fazer parte do dia a dia da empresa.
  • Invista parte do seu tempo e de todos os colaboradores para fazer o novo e você verá muitas oportunidades surgirem. Aprender a fazer o novo não é uma tarefa trivial, é um processo que exige persistência. Existem técnicas que podem ajudá-lo a desenvolver esse processo. Quando utilizadas de forma adequada, trazem grandes benefícios para os colaboradores e para a empresa.

Você viu que é possível melhorar bastante a atividade da sua empresa com recursos simples e fáceis de serem utilizados. Basta ter vontade. Mas você quer mais. Quer olhar o futuro, melhor dizendo, quer criar o futuro. Então, faça um planejamento estratégico.

 

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Planejamento estratégico é outra coisa simples de ser feita. Não requer muito tempo. Se estiver demorando, já não é mais estratégico. É também uma forma de envolver muita gente da empresa nos destinos dela. E, quando se faz isso, o que se obtém é um comprometimento sólido entre todas as partes. Tão importante quanto fazer o plano é a obtenção de comprometimento de quem trabalha na empresa com ele. Todos se sentem parte da construção do futuro dela. Minha experiência de muito tempo nisto tem mostrado este resultado. Onde há compromisso há mais resultados. Portanto, não perca a oportunidade de, ao fazer seu plano, incluir os gestores nele. Insista para que os gestores levem para as reuniões de elaboração um apanhado do pensamento de suas equipes. E, quando terminar a elaboração, oriente-os para que expliquem e abra o plano para cada área de atuação. Será uma empresa inteira respirando a construção do seu futuro.

Para fazer um bom plano, a atividade inicial é reconhecer quais são os princípios e valores da empresa. Princípios tratam do caráter das pessoas, está no campo da ética. Valores são condições que valorizamos nas relações com os stakeholders do negócio da empresa (colaboradores, clientes, parceiros, cidadãos, governo, comunidades, etc.).  O conjunto dos princípios e valores marcará o que a empresa pode ou não fazer. Daí a sua importância para a elaboração do plano estratégico. Todavia, tem um efeito colateral muito importante. São eles que influem nas atitudes das pessoas. Nossas atitudes são decorrentes de nossos princípios e valores e, quando um grupo expressa isto e se compromete, é sinal que ela terá a determinação para realizar o que quer.  

Aí começamos o plano que irá construir o futuro. Definimos onde queremos chegar ou que queremos ser, ou seja, a visão – normalmente, uma frase curta, mas muito significativa; depois vamos para a missão, o que vamos fazer para chegar ao que queremos; e, por fim, o propósito, que é o para que a empresa existe. Esses itens são o coração do plano. Quando uma empresa consegue determinar muito bem isso e comprometer o seu pessoal, ela já tem o futuro nas mãos. É conhecida a visão da Microsoft quando foi criada: “um computador em cada mesa e em cada casa, com o software da Microsoft” (mais tarde, ficou “um computador em cada mesa e em cada casa”). Veja só, bastou a empresa definir esta visão que todos os esforços dentro da empresa foram no sentido de colocar os seus softwares dentro dos computadores.  Deu no que deu!

Em seguida, o plano deverá conter os objetivos para se chegar à visão. Será feita uma análise do Quadrado Estratégico, ou SWAT, ou FOFA, como quiser. E, finalmente, desenvolver as estratégias para solucionar todos os problemas e necessidades encontradas. Tudo feito metodologicamente, de maneira muito simples. Planos de ações são feitos, realizados e acompanhados. Lembra do que fez para dirigir a lancha no mar? É por aí, tudo sem mistérios.

Você acabou de ver o que pode ser feito para preparar sua empresa para enfrentar os desafios de hoje e do futuro. Viu também que, para isso, você precisa correr riscos. Agora está na hora do fazer. Comece e veja os resultados!

 

Paulo C. A. Benetti é especialista em Inovação, Criatividade e Estratégias. Diretor geral da Inteligência Natural Consultoria (benetti@benetti.com.br). Tem experiência em trabalhos nos Estados Unidos, México, Irlanda, Alemanha, China, Argentina, Chile, Guatemala, Peru e Brasil. É autor e coautor de livros, no Brasil e no exterior. Idealizador e um dos fundadores da Assespro.



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Estamos imersos num mundo de crises, mas não vamos comentá-las porque muita gente já fala e escreve sobre isso. Aqui vamos falar do ambiente de trabalho de nossas empresas e, para isso, temos que entender bem o mercado no qual estamos imersos.

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