Curitiba, 15 de Julho de 2016.
14:34

Entrevista Marconi Perillo

Governador de Goiás

edição 56

ENTREVISTA

"Acredito muito no Brasil"

Nesta entrevista, o governador de Goiás, Marconi Perillo, fala das medidas adotadas por sua gestão para conter os efeitos da crise nacional, manter as contas do Estado em dia e manter a economia goiana nos trilhos. Marconi afirma estar otimista quanto à superação da crise econômica e diz que acredita no Brasil.

 

O senhor tem dito que o Brasil atravessa a maior crise econômica de sua história. De que forma o Governo de Goiás tem atuado para amenizar os efeitos da crise?

Estamos fazendo o possível em enxugamento de gastos e otimização de recursos. Não podemos dissociar a realidade de Goiás com a do Brasil. Goiás experimentou 20 anos crescendo empregos. Infelizmente, tivemos saldo negativo ano passado. Temos um PIB que cresce mais que o do Brasil em termos percentuais, mas mesmo assim foi negativo, na comparação com anos anteriores. Nossa receita real foi negativa no ano passado, porque não vivemos numa ilha. O Brasil desemprega hoje 11 mil trabalhadores por dia útil. Ano passado, 1 milhão e meio de trabalhadores perderam seus empregos.

 

Há uma saída no curto prazo?

Acredito que sim. Estamos num momento extremamente delicado para todos os estados brasileiros, mas temos conseguido manter o equilíbrio das contas e trabalhamos com a perspectiva de superávit primário no final de 2016. Em Goiás, nos antecipamos à crise econômica e tomamos as medidas para amenizar o impacto dela nas receitas do Estado. Nossa coragem de enfrentar a crise vai nos tirar dela mais cedo. Estamos otimistas quanto à habilidade da equipe econômica do presidente Michel Temer em definir e aplicar as medidas capazes de fazer o Brasil voltar a crescer, gerar emprego e distribuir renda. Estou otimista e acredito no Brasil e nos nossos empresários e trabalhadores.

 

Em relação aos investimentos do Estado, como está o cronograma de recuperação de rodovias para este ano?

Estamos fazendo investimento muito alto em construção, duplicação e, principalmente, em reconstrução. O ano passado foi um ano de muita crise, nós chegamos a construir o que faltava do Rodovida Reconstrução. Nós chegamos a construir nos quatro anos últimos quase 5 mil quilômetros de rodovias. Ficaram faltando 1,1 mil quilômetros de rodovias estragadas. O nosso plano é que agora, este ano, a gente consiga reconstruir, terminar muitas rodovias e fazer a manutenção permanente. Nossas equipes de conservação e manutenção estão em campo. Espero que até o fim do ano, ou no ano que vem a gente tenha o conjunto das estradas em estado bom.

 

E quanto às duplicações?

Continuam. Nós estamos viabilizando recursos para concluir o trecho de Goiânia até Goiás, da GO-070; também estamos já viabilizando o trecho até São Francisco (GO-080), já terminamos Senador Canedo (GO-403), e estamos terminando até Bela Vista (GO-020). Nós vamos dar sequência a esses programas, porque eles vão, cada vez mais, transformando Goiás em um Estado moderno, em um estado de boa infraestrutura.

 

Como o Consórcio Brasil Central, que o senhor preside, pode colaborar para atenuar o impacto da crise nos estados?

Eu diria que o Consórcio do Brasil Central é algo extremamente consistente do ponto de vista de discussão e implementação de políticas públicas eficientes para reinserção dessas nossas economias no país agora na crise e no pós crise. Se nós nos prepararmos como estamos nos preparando, vamos sair mais rápido da crise e vamos ter condições de avançar muito mais do que outras regiões exatamente por conta do nosso nível de organização e de todo o planejamento que estamos fazendo. Em relação, por exemplo, ao FCO, nós já tivemos resultados positivos. Eu não tenho dúvida de que com a nossa persistência, nossa convicção em relação aos cronogramas, a seriedade com que estamos encarando o Consórcio, ele dará respostas muito positivas aos nossos estados.

 

Como está o processo de implantação da gestão compartilhada com OSs na educação? De que forma as OSs contribuirão com a melhoria da educação estadual?

Estamos fazendo um novo chamamento para que tenhamos OSs que façam a diferença, porque esse conceito é um conceito válido aqui e em qualquer parte do Brasil. Estou convencido de que, ao iniciar essa experiência, vamos possibilitar a Goiás e ao Brasil, no futuro, terem condições de competirem, do ponto de vista do ensino, com instituições renomadas do mundo inteiro.

Vamos continuar insistindo em mudanças significativas que coloquem Goiás entre os melhores Estados do Brasil e do mundo nessa área. As OSs possibilitarão a melhoria da qualidade do ensino e da infraestrutura das escolas. O que quero é que, na escola pública e de graça, o filho do pobre possa ter um ensino do nível dos filhos dos ricos que estudam nas escolas privadas.

 

O senhor tomou uma série de medidas para melhor a segurança pública no Estado, inclusive colocando o seu vice para comandar a pasta da Segurança Pública. Está colhendo bons resultados?

O vice-governador está demonstrando um fôlego enorme, um foco total. Montou uma boa equipe operacional. Nós já anunciamos várias medidas para melhorar a segurança, como a incorporação de mais policiais através de concurso. Eu sei que a presença da polícia nas ruas, o vice-governador como secretário, atuando, estimulando, fortalecendo, ampliando a rede de tecnologia de informação, a rede de inteligência, nós felizmente conseguimos nesses últimos três meses, reduzir todos os indicadores, principalmente de homicídios. Essa sensação já começa a ser sentida pela sociedade. Agora surgiu o Novo Cangaço. Nós estamos agora investindo para combatê-lo em cidades do interior. Eu estou muito animado e percebo que o vice-governador está tendo fôlego e está muito animado para desenvolver essa tarefa.

 

Como está o concurso para as polícias?

Os policiais militares aprovados no concurso público de 2012 já foram chamados. Em relação a este caso, nós não temos como chamar. Nós estamos fazendo um concurso novo, para dar oportunidade a mais gente. Esse concurso que nós vamos fazer vai envolver 3.500 vagas. Eu imagino que teremos mais de 50 mil inscritos. São oportunidades que vamos dar aos jovens, aos cidadãos de Goiás, do interior e da capital, para que eles possam entrar nas nossas forças policiais e nos ajudar na estratégia de combater a criminalidade, os homicídios e a bandidagem.

 

O senhor inaugurou ferramenta pioneira no país para aprimorar a transparência na administração pública, o Assistente Virtual. A determinação é de que Goiás lidere esse processo de transparência nas gestões governamentais?

 Goiás ocupa o 1º lugar no Ranking da Transparência da Controladoria-Geral da União e alcançamos agora o segundo lugar no Ranking Nacional de Transparência do Ministério Público Federal. O Brasil está mudando radicalmente; mudando porque suas instituições são fortes e democráticas, o Poder Judiciário e Ministério Público atuantes; a imprensa cada vez mais livre, e diversos governos começaram a levar a sério a Lei da Transparência nas contas dos estados. Na medida em que nós do Governo de Goiás nos esforçamos, cobrando que figuremos em um tempo não tão distante em primeiro lugar em todos os rankings de transparência do país, e na medida em que vários governos se dispõem a enfrentar efetivamente a questão da transparência, não vai sobrar lugar para atos que desvirtuem os princípios da administração básica; para iniciativas de corrupção, de desvios de recursos.

 



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Governador de Goiás

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