Curitiba, 19 de Agosto de 2018.
16:15

JORGE CENCI

Entrevista e Matéria

Edição 64

EMPRESÃRIO E ACIONISTA DA SENIOR SISTEMAS

Empresário é acionista da Senior Sistemas, uma das maiores empresas de tecnologia do Brasil, e agora quer investir na carreira pública.



Determinação e disposição para buscar o desconhecido, atravessar fronteiras e superar limites. Foram essas qualidades que sempre nortearam o gaúcho de Dois Lageados (RS), Jorge Cenci, 61 anos, radicado em Blumenau (SC) há quase 30 anos. Ele poderia ser mais um agricultor de uma cidadezinha com menos de 4 mil habitantes, na época, e não há nada de errado nisso. Porém, o menino que ia para a escola de pés descalços e ouvia notícias, como a primeira vez que o homem pisou na Lua, da boca dos amiguinhos da escola ou dos professores, pois não tinha energia elétrica e nem água encanada em casa, sonhava com um futuro diferente. Tinha por parceiro nesses sonhos o pai Severino Cenci, 87 anos.

O pai poderia ter impedido os estudos do menino, visto que, na época, era comum que o filho mais velho ajudasse os pais na roça para que os irmãos mais novos estudassem. Seu Severino, homem pouco letrado, mas com muita sabedoria para a vida, incentivou todos os 8 filhos a estudarem e buscarem o caminho que os levassem a felicidade individual. Lição que Jorge aprendeu e também deu liberdade para o único filho, Eduardo, de 30 anos, para  fazer o que gosta, sem o peso de ter que seguir o legado do pai, atuando na Senior Sistemas, empresa da qual Jorge é acionista e acaba de completar 30 anos, sendo uma das maiores de tecnologia do Brasil no seu segmento. 



A modalidade de Ensino a Distância (EAD), nem era moda e Jorge já fazia o curso do Instituto Universal Brasileiro (IUB) por correspondência. Assim aprendeu mecânica de automóveis, que foi muito útil para conseguir seu primeiro emprego na concessionária da  Mercedez Benz, de recepcionista, em Bento Gonçalves (RS). A cidade fica a cerca de 60 quilômetros de Dois Lajeados e, quando adolescente, Jorge foi morar sozinho para concluir os estudos secundários e trabalhar. Formou-se em contabilidade e em administração, no ensino médio, sempre com muita dedicação, visto que o dinheiro que ganhava dava apenas para comer, pagar pensão e escola.

Mas, quem tem um sonho, não enxerga dificuldades nas adversidades, mas sim oportunidades. Como não tinha dinheiro para passear nos fins de semana, naquela época, resolveu trabalhar aos sábados à tarde e domingos como frentista em um posto de combustível. “Assim eu tinha um dinheirinho e também aproveitava o meu tempo livre fazendo algo útil”, lembra. 

Mesmo formando-se em duas profissões que já garantiriam seu futuro com mais estabilidade, Jorge tinha sede de aprender. Era uma época em que as novidades em informática fervilhavam. Curioso, querendo saber como funcionava o tal do mundo cibernético, resolveu fazer todos os cursos que apareceram, Cobol, Basic, etc. Apaixonou-se pelo mundo tecnológico e, na empresa Fasolo, onde trabalhava no setor de contabilidade, logo foi designado para implantar a informatização de todos os setores.  “Foi um período de muito trabalho, noites em claro, fins de semana em frente à tela do computador. Mas, também de muito aprendizado. Essa experiência foi fundamental para o próximo passo e mais decisivo da minha vida: sair do Rio Grande do Sul e me tornar sócio de uma empresa embrionária."

Jorge Cenci, Guido Heinzen e Nésio Gilberto Roskowski tinham uma boa ideia, zero dinheiro e muita disposição  para o trabalho. Jorge cuidava da parte comercial e chegou a decorar a rota do ônibus da Catarinense que ia de Blumenau para São Paulo. “Muitas viagens de ônibus, de carro, hotéis  e comida barata para não gastarmos demais quando íamos prospectar mercado. Foi um início difícil, mas tínhamos fé que o nosso projeto daria certo. Hoje, olhando para trás, vejo que chegamos muito além do que imaginávamos lá nos idos da década de 90”, declara.  

Jorge cuidou do comercial da Senior de 1990 até 2003, quando assumiu a presidência da empresa e ficou até 2012. Nesta época, foi formado o Conselho Administrativo e os três acionistas passaram a fazer parte dele entre outros 4 membros. Atualmente, a empresa conta com uma gestão profissional. O empresário lembra que os três sócios  têm competências e personalidades distintas. E foi isso que fez com que a empresa desse certo, visto que eles somaram competências. Tanto empenho levou Jorge, em 2012, a ser eleito um dos 100 empresários líderes pelo Fórum de Líderes Empresariais.



 



Sonhos foram feitos para serem realizados



Depois de se tornar um empresário de sucesso, Jorge poderia descansar um pouco, visto que sempre trabalhou muito. Porém, esse nunca foi o sonho dele. Ao longo dos anos, Jorge acalentou o sonho de contribuir com a comunidade de alguma maneira. “A vida me deu tanto. Sempre pensei que um dia chegaria a hora de devolver. Por isso, surgiu a ideia de participar da vida política”, diz.

Com a empresa bem encaminhada e sem disponibilidade para pendurar as chuteiras, Jorge resolveu buscar  mais um desafio para a sua vida: está como pré-candidato a deputado federal pelo PSB.

Sem um passado político que o desabone e sendo um dos integrantes do RenovaBR, projeto criado para capacitar cidadãos para ingressarem na política, Jorge acredita que poderá fazer a diferença. O objetivo do programa é de preparar pessoas que nunca ocuparam cargos públicos eletivos para possíveis candidaturas a deputados estaduais e federais. O RenovaBR trabalha com três premissas básicas: democracia, ética e vontade de servir à sociedade.       

Em 2013, Jorge teve uma curta experiência, de dois anos, como secretário de desenvolvimento econômico na Prefeitura de Blumenau. “Essa experiência foi muito rica, pois serviu para que eu entendesse como funciona o sistema público, visto que passei toda minha vida no setor privado. Aprendi muito e, por isso, quero trabalhar pela comunidade”, enfatiza. Além disso, também já esteve a frente da presidência da Assespro, regional Santa Catarina, por quatro anos, entre 1999 e 2002.

Jorge sabe que todas as bandeiras são importantes. Mas, como é do setor de tecnologia e conhece bem a realidade do segmento, acredita que possa fazer mais nessa área. Tanto que já delineou um projeto que pretende apresentar para as entidades de classe, independente de vencer o pleito, com o objetivo de fomentar a formação profissional para jovens que queiram trabalhar com tecnologia. “É um dos segmentos que mais cresce e tem possibilidade de oferecer empregos. Em Santa Catarina temos diversas vagas em aberto. Está faltando mão de obra qualificada e acredito que investir em educação é o caminho para reduzirmos a taxa de desemprego”, explica.



 



SENIOR SISTEMAS EM NÚMEROS



ATIVIDADE: produção de programas de gestão empresarial, 

de pessoas, relacionamentos, segurança e logística



COLABORADORES: 1300



ENDEREÇOS: sede em Blumenau, filiais em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, 

Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, 

Pernambuco e mais de 100 distribuidores em todo o Brasil 



FATURAMENTO EM 2017:

R$ 283,5 milhões - 11% a mais do que no ano anterior 



Em 2016 foi investido em capacitação R$ 1 milhão e, 

em 2017, R$ 38 milhões em pesquisa, 

desenvolvimento e inovação



 



Contrata-se profissionais!



Em 1969 poucas pessoas no planeta sabiam o que era ou tinham visto um computador, mas em uma cidade catarinense empresários de indústrias tradicionais se reuniam para montar uma empresa diferenciada, para prestar serviços de processamento de dados para suas organizações, utilizando um computador de grande porte, menos potente que um smartphone atual, e muito mais caro que milhares desses celulares.

Essa ideia inovadora era um dos embriões de uma nova indústria que é chamada atualmente de NTRICS - Novas Tecnologias da Informação, da Comunicação e das Relações, não sem antes passar pelas denominações de Processamento de Dados, Informática, Tecnologia da Informação e Tecnologia da Informação e Comunicação.

Desde então, esta indústria, principalmente de software, apesar de todos os desafios de se consolidar e adquirir estabilidade num país bastante instável, vem crescendo e os brasileiros tem se mostrado competentes para se manterem ativos num meio tão competitivo e inovador.

Esta área muda rapidamente e as empresas necessitam inovar sempre. Segundo dados da Brasscom e IDC, estima-se que no Brasil entre 2018 e 2021 R$ 249,5 bi serão investidos em áreas como Software, com 23% desse total, Hardware com 18%, Serviços com 42% e conectividade com 17%. Internet das coisas deverá crescer 27% ao ano, Big Data & Analytics 8%, Segurança da Informação 12% e Inteligência Artificial 39%.





Onde as empresas de TI enfrentarão o maior problema? 



Paradoxalmente ao que temos no Brasil atualmente, com certeza um dos grandes gargalos será a formação de mão de obra qualificada. Quando se fala em mão de obra, não estamos falando apenas de novos profissionais para as novas demandas, dos novos projetos e da atualização constante dos produtos e serviços existentes. Estamos falando também de uma mão de obra existente que precisa ser constantemente reciclada para estar apta para as novas tecnologias como Inteligência Artificial e Internet das coisas.

O Brasil precisa de políticas públicas e claras para o setor de NTRICS. O crescimento desse segmento esconde os problemas que são enfrentados todos os dias por empresários e profissionais. Os grandes países do mundo estão se voltando para essa área e criando condições propícias para que empresas se desenvolvam em seus territórios, eliminando quaisquer barreiras que possam significar impedimentos para crescimentos acelerados.

Essa área já demonstrou que pode gerar milhares de empregos nos próximos anos e todos de qualidade e com salários médios muito bons se comparados com outros setores.

A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX), no Caderno Temático “Mercado de Trabalho e Formação de Mão de Obra em TI”, prevê um déficit de cerca de 400 mil profissionais em 2022. Projeta ainda que esse déficit de mão de obra qualificada acarretará uma perda de valor nos negócios em “Software e Serviços de TI” de R$ 140 bilhões (valor acumulado até 2022). 

Essa é a realidade no setor das empresas que se dedicam às Novas Tecnologias da Informação, da Comunicação e das Relações. Vagas abertas e dificuldade para preenchê-las, mesmo com salários que na média são superiores a outros setores e com condições diferenciadas de trabalho.

Vivemos uma era sem precedentes e a criação de políticas públicas que facilitem a geração dessa mão de obra necessária para que o país entre e se mantenha na elite dos países que desenvolvem competência nessas novas áreas de conhecimento é fundamental para a qualidade de vida de nossa gente. Por isso, acredito que termos representantes do setor de TI em todas as esferas públicas, sejam municipal, estadual ou federal, é de suma importância para a categoria. Com certeza, teremos mais rapidez nas decisões que podem impactar, de forma positiva, o setor de TI.


 



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