Curitiba, 19 de Agosto de 2018.
16:22

O Brasil precisa avançar na transformação digital

Professor Associado ao Berkman Klein Center na Universidade de Harvard e foi secretário de política de informática no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação de 2011-2015.

Edição 64

Virgilio Almeida

A transformação digital avança aceleradamente pelo mundo globalizado, onde  países buscam  mais eficiência, produtividade e transparência para  governos e  economia. Muitos países tem  sido bem sucedidos nessa transição, onde as tecnologias digitais tornam  serviços públicos mais eficientes e  empresas mais competitivas, gerando mais produtividade para a economia. Uma pergunta que interessa de perto a nós brasileiros é:  quais são as estratégias adotadas por outros  países para avançarem na modernização digital? Quais são seus segredos? 

Um relatório publicado pelo Fórum Econômico Mundial no final do ano passado analisa as estratégicas adotadas por 17 países para a construção de suas economias digitais, cobrindo desde países pequenos países como CIngapura, Suiça e Estônia,  até  economias avançadas, como Alemanha, Reino Unido e Japão.  Ao analisar os casos desses vários países, uma pergunta surge: Quais são as receitas seguidas por esses países, que hoje brilham com serviços públicos de qualidade, menos burocracia,  economias competitivas e  governos eficientes?

Antes de aprofundar nas condições específicas desses outros países, cabe ressaltar que a transição digital produz melhores resultados quando ocorre  em  países com ambientes de negócios  atraentes para empresas e adequados à  inovação. Para aproveitar ao máximo a transformação digital, são necessárias  estruturas regulatórias adequadas, regras estáveis, instituições ágeis e recursos humanos  qualificados.

A condição  mais marcante encontrada nos países que avançaram com sucesso na transformação digital é a existência de lideranças políticas comprometidas  com o processo de modernização do país. O comprometimento político implica também em compromissos de investimentos de médio prazo por parte do governo. Outra condição encontrada em vários países é a existência de uma estratégia clara de desenvolvimento digital, acompanhada de uma estrutura de alto nível no governo para sua coordenação. Em geral as estratégias de desenvolvimento digital transcendem os setores de tecnologia e englobam diferentes setores da sociedade e da economia.  No caso da Alemanha por exemplo, parte da estratégia digital tem o foco nas pequenas e médias empresas através da agenda ``indústria 4.0’’. Um terceiro ponto comum a quase todos países é o desenvolvimento de parcerias público-privadas, capazes de acelerar resultados sócio econômicos positivos e atacar problemas de infra-estrutura de acesso a internet. Isso ocorreu não só em países em desenvolvimento como Colômbia, Kênia e Ruanda, mas também em economias avançadas, como Cingapura, Reino Unido e Japão.

Embora sejam países pequenos em termos populacionais,  Estônia e Cingapura são dois exemplos notáveis. A Estônia  começou a implementar as tecnologias digitais no final da década de 1990 na prestação de serviços governamentais. Ao longo do tempo, o uso das tecnologias digitais tornou-se  um diferenciador chave e um pilar central da economia e da estratégia nacional da Estônia.  Um dos principais fatores de sucesso da Estônia para acelerar os serviços governamentais foi a adoção da concepção de governo como uma plataforma comum para  toda a economia.  Isso se traduz na adoção de serviços seguros  e dados compartilhados por todos os  setores nacionais, públicos e privados. Outro exemplo que chama a atenção é a identidade digital nacional, construída através de um modelo de parceria com o setor privado. A identidade, segura e autenticada,  é  direito fundamental de todos os cidadãos da Estônia. Os hospitais emitem certificados de nascimento digitais antes que os recém-nascidos cheguem em casa e seu seguro de saúde começa  automaticamente. Todos os residentes da Estônia de 15 anos ou mais possuem cartões de identificação eletrônica, que são usados em serviços de saúde, bancos  e compras. Com a identificação digital nacional da Estônia, os indivíduos podem assinar contratos, criptografar e-mails e até mesmo votar.  Tudo isso leva a uma redução drástica de burocracia e do custo do governo.  Por exemplo, a declaração de  impostos anuais pode ser preenchida em menos de uma hora e o pagamento da restituição  ocorre dentro de 48 horas.  A Estônia é hoje um dos países mais avançados na transformação digital. 



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O Brasil precisa avançar na transformação digital
Professor Associado ao Berkman Klein Center na Universidade de Harvard e foi secretário de política de informática no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação de 2011-2015.

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