Curitiba, 26 de Março de 2018.
12:40

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O melhor momento para plantar uma árvore teria sido há vinte anos. O segundo momento é agora.

Edição 62

Epiphânio Camillo

Trazer para debate e reflexão as múltiplas questões relacionadas ao emprego dos vários instrumentos da TI para o desenvolvimento econômico e social é um bom desafio face às inúmeras interfaces do tema. É também esforço para não repetir o que se diz a mancheias sobre o assunto.
Com frequência ainda somos surpreendidos pelas súbitas mudanças nas relações de negócios, alterações políticas, quebras de barreiras ideológicas, mudanças de paradigmas, de conceitos e de comportamentos.
Relações de mercado, geopolítica, comportamento humano, o tribalismo do qual fala John Naisbitt, têm sido modificados de maneira a exigir continuado esforço de adaptação para rever concepções e adotar atitudes compatíveis com esses “novos tempos”.
O desenvolvimento tecnológico é rotina surpreendente e se expande a tal velocidade que não permite previsões confiáveis para lapso de tempo maior que dois anos, pouco mais. Além deste ponto, tudo pode ser enquadrado no limiar da ficção científica nesse ambiente de fascínio criativo.
São novos equipamentos, circuitos, programas, metodologias e utilizações cada vez mais eficientes. A tecnologia da imagem, os drones, a Internet das Coisas (IoT) crescem e se popularizam. A realidade virtual tem aplicações práticas disponibilizadas amplamente no mercado, abrindo horizontes cujo alcance não podemos delimitar.
“Tempos interessantes esses que estamos vivendo”. (Ivan Moura Campos)
De modo compulsório nos deparamos e convivemos com:

• Mundo sem fronteiras e universo real-time;
• Crescimento irrecusável da globalização;
• Novos arranjos de forças devido à integração de blocos econômicos que transformam, 
renovam e redesenham a geopolítica mundial;
• Reorientação do Estado, com relevância para seu papel de Agente Regulador e Moderador;
• Impactos da nova economia devido a fatores sociais e ambientais, criando oportunidades inéditas e barreiras não tarifárias;
• Demandas sociais imperativas e inovação acelerada forçando ações para rápidos ajustamentos;
• Contínua convergência e sinergia entre tecnologias com generalizadas aplicações transversais;
• Necessidade de adoção de inovadores modelos de gestão e de parcerias não-conexas;
• Possibilidades de saltar etapas, recuperar ou criar atrasos definitivos e irrecuperáveis.

 

O universo geográfico visível ampliou-se em tal dimensão que não mais conhece limitações espaciais. Nesse mundo sem fronteiras o conceito de soberania não mais está ligado ao potencial de investimentos com recursos próprios. Interessa mais a capacidade de um povo escolher seu caminho, identidade, gerar progresso social, a distribuição de riquezas e de oportunidades, reconhecer o direito à participação política com liberdade e trabalho digno, ter consciência e capacitação para utilizar os meios que as tecnologias tornaram disponíveis, independentemente de sua origem e nacionalidade, seja nas Escolas, no acesso a serviços de saúde, proporcionando facilidades gerais para o cidadão no cumprimento de obrigações, na garantia de eleições transparentes, livres e informatizadas.
O crescente uso desses mecanismos no âmbito das empresas, seja na indústria, comércio ou serviços, trouxe profundas mutações na maneira de atuar e na necessidade de arquitetar modelos de negócios inéditos que permitem inovadores processos de transformação e alterações substantivas na logística de transporte, armazenamento, distribuição, administração de materiais, automação de procedimentos, redução de perdas, planejamento da produção, com significativos ganhos de eficiência e produtividade.
Livros, softwares, músicas, desenhos, figuras, quadros, procedimentos e know-how são exemplos dessa nova modalidade de aquisição de bens e serviços. Se este tipo de “mercadoria” pode ser adquirido sem que nem sempre saibamos do onde ou de quem, lembremo-nos que pela mesma via e processo podem ser encontrados outros tipos de bens mais sofisticados e de valor estratégico significativo.
Com a facilidade de acesso a essas ferramentas estamos presenciando revolução comparável à de Nicolau Copérnico, cujas concepções alteraram completamente nossa maneira de enxergar o mundo.
O fim da reserva de conhecimento permite que acesso à informação seja bem a serviço de número cada vez maior de pessoas, fazendo com que técnicas sofisticadas e modernas deixem de ser monopólio de alguns e passem a servir a muitos. Cabe a nós, profissionais do Setor de TI, dar boas-vindas aos recém-chegados e acenar com incentivos para os que ainda titubeiam e a todos eles facilitar a entrada às “portas e janelas” que, de algum modo ajudamos a construir.
Há riqueza de talentos que precisam ser encontrados, incentivados, valorizados, absorvidos, reconhecidos e utilizados. A aproximação dos centros de excelência entre si para fortalecer e criar novas propostas de desenvolvimento via núcleos de inteligência gestados nas Universidades é um caminho para sistematicamente inventar, cultivar e colher nesse celeiro de peopleware os insumos diferenciais de nosso Setor.
Avançamos para superar dificuldades com o ajuste do País às regras do mercado mundial. Questões relacionadas à Lei de Informática, propriedade intelectual, tratamento tributário, vêm sendo ajustadas para permitir a implementação de marcos regulatórios estáveis.
Há várias iniciativas para o desenvolvimento e aproveitamento de nossas sinergias e competências. Tenho convicção que somos um País de oportunidades e alternativa privilegiada para investimentos de alta tecnologia e acelerada produção de empregos e riquezas. O mercado brasileiro tem potencial de consumo muito elevado e esta é uma vantagem competitiva que nos cabe explorar.
“A tecnologia por si só não garante uma revolução, mas permite que as revoluções possam ser feitas por pequenas empresas e indivíduos”. (Guilherme Massa)
Diante de tantas e tamanhas incertezas econômicas e confusões políticas da hora presente, a boa notícia é que o Brasil dá nítidos sinais de recuperação do crescimento e a economia de mercado está se instalando entre nós de maneira firme e definitiva, não obstante dificuldades de nossa cultura, ainda não completamente adaptada às regras básicas da livre concorrência.
O que desejava dizer para nossa reflexão conjunta é que as oportunidades estão em toda parte. Abandonar o conforto de soluções conhecidas e buscar o trabalhoso, diário e constante aperfeiçoamento para acolher novos paradigmas é o caminho indispensável da inovação, do desenvolvimento e da sustentabilidade.
A resistência a mudanças constitui oportunidade de negócios para aqueles que a elas não se opõem. Não há como impedir tecnologias nem desconhecer as alterações que elas trazem ao nosso dia-a-dia. Quem tentar fazê-lo estará cometendo gesto inútil. E perderá a aposta.


Epiphânio Camillo
Ex-Presidente da SUCESU-MG e da ASSESPRO-MG, Conselheiro da FUMSOFT
Diretor Emérito da Associação Comercial de Minas
Conselheiro da Fundação Dom Cabral



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O melhor momento para plantar uma árvore teria sido há vinte anos. O segundo momento é agora.

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