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O software público brasileiro e as empresas de TI

Em um primeiro momento, a iniciativa do software público brasileiro nos pareceu interessante, mas o tempo vem revelando que o modelo produz parcos resultados e ainda contribui para enfraquecer o setor privado nacional de TI Edição 59 JORGE SANTANA Em um primeiro momento, a iniciativa do software público brasileiro nos pareceu interessante, mas o tempo […]

1 de julho de 2021 09:11

Em um primeiro momento, a iniciativa do software público brasileiro nos pareceu interessante, mas o tempo vem revelando que o modelo produz parcos resultados e ainda contribui para enfraquecer o setor privado nacional de TI

Edição 59

JORGE SANTANA

Em um primeiro momento, a iniciativa do software público brasileiro nos pareceu interessante, mas o tempo vem revelando que o modelo produz parcos resultados e ainda contribui para enfraquecer o setor privado nacional de TI, que tem no governo federal um dos mais importantes demandantes de produtos e serviços. A pouquíssima quantidade de empresas atuando com software público e o pouco destaque que o portal lhes dá comprovam que, na prática, a estratégia do governo não vem motivando a participação do setor privado de TI, que deveria ser um dos agentes mais importantes da iniciativa.

O software público segue na contramão ao neutralizar o uso do poder de compra do governo, instrumento de fortalecimento de um setor que deveria ser intensamente demandado pela administração pública. Adicionalmente, temos visto o incremento do desenvolvimento de software internamente nas organizações públicas, indo de encontro ao que se espera das áreas de TI governamentais, ou seja, o exercício do papel de gestão, contratação e fiscalização e não de execução de projetos e serviços diretamente.

O fortalecimento do setor nacional de TI passa pela ampliação da atuação das empresas brasileiras tanto na prestação de serviços, quanto no fornecimento de licenças. Nosso mercado sempre teve boa oferta de produtos de empresas brasileiras, mesmo com a forte concorrência estrangeira, demonstrando nossa competência em produzir software. Dada a relevância econômica e estratégica para o país, o governo tem o dever de contribuir para alavancar o setor, a exemplo de iniciativas como o Programa TI Maior. Paradoxalmente, contudo, o software público vem seguindo em outra direção.

Por outro lado, é notório que o software livre está consolidado mundo afora e tem dado importante contribuição para o setor, tanto que diversos projetos open source são patrocinados por grandes empresas produtoras de software. Resta provado, ainda, que há espaço para o software livre e para o software proprietário, sendo falsa a dicotomia que tem servido de argumento para forçar a exclusão do segundo em favor do primeiro. O que o resto do mundo mostra é que software livre e software proprietário podem conviver no mesmo mercado, seguindo uma lógica mais de cooperação do que de competição.

De mais a mais, sabemos que é na diversidade que se encontra a gênese da evolução tecnológica, privilegiando o devido espaço para que sejam feitas as melhores escolhas pelos consumidores. Essa é a dinâmica que move a economia do conhecimento e, com destaque, a indústria do software.

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